O Laboratório Químico

 

 


Quem entrar hoje num laboratório de pesquisas em Química certamente se deparará com instrumentos que parecem saídos de um filme de ficção científica. Alguns microscópios, por exemplo, ocupam toda uma sala e seu custo pode passar de meio milhão de reais. No entanto, toda essa modernidade é resultado de uma evolução lenta e gradativa.
Os primeiros laboratórios que realizavam transformações químicas (ainda que de forma primitiva) remontam à época dos alquimistas. Num misto de magia, superstição e ciência primitiva, seus adeptos realizavam diversas sínteses, como do ácido acético e sulfúrico (conhecido como óleo de vitríolo). Entre os mais famosos podemos citar Hermes Trimegisto, Geber e Paracelso, famoso por utilizar alguns conceitos alquímicos na cura de doenças.

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Legenda: Laboratórios alquímicos.
A química, no entanto, somente ganharia ares de ciência formal com os primeiros trabalhos do físico Robert Boyle (1627-1691). De formação bastante ampla, Boyle foi físico, químico e filósofo, sendo o primeiro a apresentar a noção de “elemento químico”. Em 1661 surge seu livro mais importante, O Químico Cético, onde ele confronta o obtuso pensamento aristotélico de seu tempo com o raciocínio científico nascente. Os trabalhos de Boyle serviram de base para o surgimento da Química Experimental que, embora de forma primitiva, alcançaria sua maturidade alguns anos depois.
Coube a Antoine Laurent de Lavoisier o papel de estabelecer em definitivo a Química entre as ciências já fundamentadas. De origem nobre, Lavoisier se ocupou com grande paixão da pesquisa química, a tal ponto que seu laboratório caseiro era um dos mais bem montados de sua época. Na impossibilidade de dispor de fornecedores de equipamentos, ele mesmo desenhava e encomendava aos vidreiros e artesãos a aparelhagem de que necessitaria. Suas intensas pesquisas o levaram, entre outras coisas, à descoberta da conservação das massas durante uma reação química.

 

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Legenda: Lavoisier e um modelo de seu laboratório químico.

 
Os trabalhos de Lavoisier foram um alicerce bastante sólido onde se construiu toda a imensidão da Química atual. Já não é mais possível a um químico, como no tempo de Lavoisier, deter todo o conhecimento existente sobre essa ciência, ocorrendo intensa especialização. Os laboratórios modernos são capazes de dosar quantidades mínimas de uma substância tóxica na água potável, analisar a velocidade e o mecanismo de diversas reações químicas, sintetizar substâncias que não existem na natureza e até mesmo perscrutar a própria estrutura da matéria. Tudo isso é feito com o uso de equipamentos sofisticados, aliados a reagentes de elevado grau de pureza, só possíveis com o desenvolvimento de indústrias químicas.

 

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Legenda: Os laboratório químicos modernos aliam alta tecnologia com equipamentos simples.

 
No entanto, qualquer laboratório químico, por mais sofisticado que seja, ainda utiliza um conjunto muito simples de equipamentos que têm suas origens ligadas ao desenvolvimento da química, como os béqueres, tubos de ensaio, erlenmeyers, buretas, etc. Alguns desses equipamentos e suas utilidades estão discriminados abaixo.

 

Béquer: utilizado para reações entre soluções, dissolução de substâncias, reações de precipitação e aquecimento de líquidos. Deve ser aquecido com tela de amianto.

Balão de fundo chato: empregado para aquecer líquidos ou soluções ou ainda para fazer reações com desprendimentos gasosos. Pode ser aquecido sobre tripé com tela de amianto.

Erlenmeyer: utilizado para titulações, aquecimento de líquidos, dissolução de substâncias e reações entre soluções. Para o seu aquecimento deve-se usar tripé com tela de amianto.

Tubo de ensaio: empregado para reações em pequena escala, notadamente em testes de reação. Pode ser aquecido com cuidado diretamente sobre a chama do bico de Bunsen.

Dessecador: usado para guardar substâncias em atmosfera contendo baixo índice de umidade. Na parte inferior coloca-se uma substância capaz de absorver água (higroscópica).

Estante: usada como suporte para os tubos de ensaio.

Pinça de madeira: usada para prender os tubos de ensaio durante o aquecimento.

Tripé de ferro: sustentáculo para efetuar aquecimentos. Sobre ele usa-se a tela de amianto.

Funil de Buchner: usado em conjunto com o Kitassato para a realização de filtrações a vácuo.

Almofariz e pistilo: usados na trituração e pulverização de sólidos.

Vidro de relógio: usado em análise, em experimentos envolvendo evaporação.

Condensadores: têm por finalidade condensar os vapores do líquido que se está destilando.

Bureta: utilizado em titulações e outras análises volumétricas para medir líquidos com precisão.

Pipetas: utilizadas na transferência com exatidão de líquidos. Podem ser graduadas ou volumétricas.

Bico de Bunsen: dispositivo utilizado para aquecer vidrarias. Possui chama regulável.

Suporte universal: realiza a sustentação de várias estruturas comumente utilizadas na Química.

Funil de Buchner + Kitassato: aparelhagem utilizada para filtrações a vácuo.

Funil de Bromo: usado na separação de líquidos imiscíveis. Também pode ser chamado de funil de separação ou de funil de decantação.

Tela de amianto: suporte para as peças a serem aquecidas. A função do amianto é a de distribuir uniformemente o calor recebido pelo bico de Bunsen.

Presilhas: mantém equipamentos presos ao suporte universal ou à bancada.

Proveta: instrumento graduado para medir com exatidão o volume dos líquidos.

Funil: utilizado na transferência quantitativa de líquidos.

 

 

Créditos das Figuras

Figura01: http://www.museutec.org.br/previewmuseuvirtual/museus/deutm/alquimia.htm

Figura02:

http://www.esec-barcelinhos.rcts.pt/actividades/quimic/gali.gif

Figura03:

http://www.galeon.com/labquimica/imagenes/lavoisier.jpg

Figura04:

http://encina.pntic.mec.es/~jsaf0002/images/Laboratorio_Lavoisier.jpg

Figura05:

http://www.stanford.edu/group/crg/laboratory/Full_Lab.jpg

Figura06:

http://www.labdepotinc.com/files/products/glassware/Modified%20Chemical%20Picture.jpg