Feijoada pedagógica
Após três
horas de reunião pedagógica, fomos todos à cantina
do Colégio para uma feijoada pedagógica.
A anfitriã, nossa Diretora Alcilene, recebeu cada um que chegava
com um largo sorriso e um abraço aconchegante.
Era, mais uma vez, a família Anchieta reunida em torno de uma
mesa.
Penso que comer e beber com alguém é quase que um ritual
sagrado e, por isso, não bebo nem como com o inimigo.
Penso assim talvez por ser do tempo em que a família se reunia
duas vezes por dia, durante as refeições, ao redor de
uma mesa, para conversar sobre todos os assuntos , principalmente sobre
aqueles que faziam parte do cotidiano de todos os seus componentes.
E, por falar em comer à mesa e conversar, no último dia
23 de junho,. participei com minha esposa de uma feijoada, oferecida
pela direção do colégio Anchieta aos professores
e funcionários.
Variedade de legumes, bastante cerveja bem gelada, e muitos enfeites,
pequenos arranjos sobre as mesas
Vivemos , por alguns instantes, belos e expressivos momentos de encontro
com os nossos semelhantes, que só os pequenos grandes gestos
do dia-a-dia podem proporcionar: um sorriso aberto e franco, um aceno
ou aperto de mão de duração mais longa.
Nesse nosso banquete — que não foi de Platão —
com muita feijoada e caipirinha, não discutimos o amor: nós
somente o vivemos. Vivemos por alguns momentos — fora do ritmo
alucinante de um dia de trabalho na escola — a satisfação
de ouvir o colega sobre assuntos nada pedagógicos, o prazer de
ver a troca de colos de suas crianças que ainda não freqüentam
a escola, a alegria de abraçar cada um que chegava com um sorriso
e votos de boas vindas.
Com o passar do tempo, os grandes grupos foram se desmanchando e transformaram-se
em pequenos outros grupos espalhados pelos amplos espaços dos
pátios do colégio.
Enfim, nesses momentos, descobrimos que não é preciso
ir a Atenas ou Paris para ser feliz: Basta olhar com amor e fraternidade
aqueles que fazem parte do nosso cotidiano e, se possível, beber
e comer com eles.
ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO